Inovação e fontes de financiamento para provedores regionais

Inovação e fontes de financiamento para provedores regionais

por Daniel Iwata | 29.08.17 | em Gestão e boas práticas

O analista de projetos no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Richard Cunha, foi enfático ao afirmar que “se você quer se destacar no mercado tão competitivo quanto o de provedores por meio da inovação, existem fontes de financiamento exclusivo para isso”. Isso ocorreu durante o ISP Next Summit, evento promovido pela Cianet com o intuito de debater sobre Transformação Digital e Inovação para provedores regionais. Ele explicou ainda que, para serem aprovados pelo BRDE, os projetos dos provedores regionais  não precisam, necessariamente, contar com uma inovação disruptiva. É possível conseguir recursos para sustentar a mão de obra de projetos e até de consultorias para o desenvolvimento de novos modelos de negócios.

Já Rodrigo Leite, sócio do Advisia OC&C strategy consultants, esclareceu no mesmo evento que os investidores internacionais começaram a olhar para o mercado dos ISPs brasileiros. Para ele é comum que, depois de um tempo, essas empresas passem para as mãos de quem consegue extrair mais recursos dela. “É natural que o negócio dos provedores passe para fundos, pois esses, além de possuir um custo de capital menor, conseguem ter ganhos de escala na operação”, afirmou. Além disso, lembrou que devido ao sistema tributário brasileiro essas transações ainda não ganharam tanta força.

Mas como os provedores podem se preparar para solicitar essas fontes de financiamento? Richard Cunha lembra que a gestão dos provedores tem desejo de inovar e que existe recurso disponível para isso. Mas, muitas vezes, não cumpre os pré-requisitos básicos e acaba perdendo a oportunidade de financiar seus projetos. Para o analista, o planejamento, a maturidade e a dedicação nas propostas inovadoras é que definem qual será a forma de financiamento.

No mesmo painel sobre inovação e fontes de financiamento, Roberta Dias, advogada do Biancamano, lembrou que no mercado de provedores já estão acontecendo várias fusões e aquisições. Ela enfatizou que “o empreendedor que quer comprar ou vender o seu negócio, precisa entender os critérios de avaliação e o interesse de uma empresa neste setor e como a negociação varia de acordo com o porte de cada provedor”, explicou.

Ficou interessado e quer saber como o seu provedor pode ficar antenado nas oportunidades geradas para projetos de inovação e novas fontes de financiamento? Continue a leitura do artigo!

Como saber se meu provedor está preparado para fazer fusões e aquisições?

Há quem acredite que para conseguir fazer transações como fusões e aquisições é necessário apenas ter rede e clientes. Mas na verdade é preciso muito mais. Estar em compliance tributário, possuir licença SCM e contar com uma boa gestão financeira são alguns dos itens imprescindíveis para conseguir fontes de financiamento ou abrir o negócio para investidores. Confira abaixo alguns tipos de operação:

ISPs com receita de até 500mil/mês

Nessas transações há baixa exigência de governança financeira, contábil e fiscal. Elas costumam ser baseadas em múltiplos e o principal interesse do comprador está na carteira de clientes e nos ativos do provedor.

ISPs com receita entre 500 mil e 2 milhões/mês

Pelo valor envolvido nesta operação, ela é considerada de médio porte. Assim, já existe uma preocupação com os problemas existentes no provedor, como as questões que envolvem o ICMS e outros tributos, por exemplo. Outro ponto que merece destaque é que na operação existe auditoria de due diligence, ou seja, quando há uma investigação por parte do investidor em avaliar a oportunidade de negócio para avaliação de riscos.

Além da carteira de clientes e ativos, os compradores também avaliam o potencial de crescimento da empresa através do seu  fluxo de caixa descontado (FCD) e seu múltiplo de Ebitda.

ISPs com receita entre 2 milhões a 60 milhões/mês

Essas operações são consideradas de grande porte e envolvem fundos de investimento ou estratégicos (operadoras). Nas transações desse tipo, além da autoria, exige-se também elevado nível de governança corporativa, financeira, contábil e fiscal. Assim como as operações de médio porte, também é feita a análise do seu fluxo de caixa descontado e seu múltiplo de Ebitda.

Como identificar a maturidade do meu provedor para pedir fontes de financiamento?

Existem muitos impasses na hora de fazer fusões e aquisições nos provedores de internet, não é mesmo? Por vezes o empreendedor não quer se desfazer do legado que ele mesmo criou, às vezes valoriza demais; outras menos. Mas antes de qualquer transação ou tentativa de conseguir fontes de financiamento, é essencial que o gestor saiba em que ponto da curva de crescimento a empresa dele está.

Os  pontos a serem analisados são em relação aos principais gargalos dos provedores: geração de fluxo de caixa positivo, capital de giro para investimento e financiamento à clientes, garantias para acesso ao crédito, contabilidade devidamente regularizada e carteira/ gestão de clientes. Diante deste cenário, como esses fatores são trabalhados no seu negócio hoje? Richard Cunha lembrou durante o ISP Next Summit que “ainda há muita informalidade entre os provedores regionais. Muitos deles não contam com números expressivos que facilitem as fontes de financiamento”. O analista lembrou, ainda, que uma empresa mais madura e com boa gestão financeira e tributária terá mais chance de conseguir o crédito, até mesmo para transações mais complexas.

O seu provedor quer se tornar mais profissional, conseguir mais capital para dentro da empresa e investir em inovação? Você pode começar investindo na melhor organização financeira e da carteira de clientes do seu provedor. A planilha de Gestão de Clientes para provedores de internet vai contribuir para melhor administração. Ela é gratuita: basta fazer uma cópia e incluir as informações da sua empresa.